Fisioterapia no Câncer de Mama

  O assunto câncer já foi bastante falado, principalmente no último post. É nítida a importância de um excelente tratamento nessa fase, contando desde quando é dado o diagnóstico, até para a evolução de uma cirurgia, radio e quimioterapia… Mas e nessas situações, aonde entra a fisioterapia? Ela também não deve ser abstraída da evolução do tratamento e para quem ainda não sabe em que momento nós atuamos, vamos esclarecer algumas dúvidas e clarear um pouco as ideias sobre o nosso trabalho.

Quando a paciente recebe o diagnostico da doença, através de exames de imagem, cabe ao médico dizer qual será a melhor conduta a ser tomada. No caso das cirurgias, existem vários tipos, onde pode ter a retirada total ou parcial da mama, retirada dos linfonodos e às vezes os dois. Depende muito do quanto invasiva é a cirurgia e de como o organismo da mulher vai receber ao tratamento, para assim observarmos as possíveis complicações existentes num pós-operatório de câncer de mama.

As complicações normalmente são associadas à dissecção axilar, incluindo hemorragia, lesão de nervos, infecção, necrose da pele, seroma, linfedema, distúrbios na cicatrização e disfunções sensitivas e motoras do ombro, levando ao prejuízo funcional além é claro do estresse emocional. Elas podem ser divididas em imediatas (ocorrem até 24 hrs depois da cirurgia), mediatas (até o 7º dia pós-operatório) ou tardias (depois da retirada dos pontos e alta hospitalar). Lembrando que tudo depende da afecção clínica associada, tipo de anestesia, além do grau de lesão e cuidados pós-operatórios.

Hemorragias: Oferece grande risco ao paciente. A repercussão clínica depende do tipo de sangramento, calibre do vaso e da quantidade de sangue perdido.

Infecção: É a mais comum das causas de morbimortalidade. Cada episódio de infecção da ferida operatória, aumenta o tempo de hospitalização, no caso do paciente com câncer esse quadro adia a terapia adjuvante e há evidências que sugerem que os resultados para o paciente em termos de controle local e sobrevida, estão comprometidos.

Lesões Nervosas: Em razão da manipulação cirúrgica, podem provocar alterações sensório-motoras transitórias com duração de algumas semanas com tendência a desaparecer com o passar do tempo. Elas podem ocorrer durante o procedimento cirúrgico ou ainda se instalar meses depois devido a uma neuropatia. A lesão isolada de um nervo periférico pode ser causada basicamente por 4 mecanismos:

– Compressão curta: quando realizada por alguns minutos acarreta interrupção funcional, sendo a alteração imediata e totalmente reversível.

– Compressão prolongada: Causam uma lesão levando ao déficit parcial ou total; pode ser revertido a partir do momento em que a causa da agressão é removida.

– Estiramento: pode provocar distúrbio funcional grave e duradouro. A recuperação funcional é satisfatória e se dá geralmente dentro de 3 a 4 semanas.

– Rotura parcial: lesão grave, sendo a regeneração ineficaz quando não há sutura que aproxime as extremidades separadas.

Quando existe regeneração das fibras dos nervos periféricos é comum o relato de sensação de formigamento e até mesmo dor quando se estimula a região acometida. Podem ser acometidos vários nervos e cada um deles tem sintomas diferentes. Entre os mais comuns estão o formigamento, instabilidade e proeminência da escápula, dor, fraqueza, desconforto e hiperparesia no braço. As pacientes ficam com dificuldades de encostar o braço no tronco, dificultando a realização de movimentos do ombro levando a encurtamento muscular e prejudicando as atividades de vida diária dessa mulher e evoluindo às vezes para alteração de postura e na respiração. Pode haver também a recuperação espontânea do nervo e muitas pacientes tornam-se assintomáticas.

FISIOTERAPIA: Promover dessensibilização no local utilizando elementos de diferentes texturas, exercícios para amenizar a fraqueza muscular e a limitação do movimento. Nem sempre o fisio consegue perceber essa alteração na primeira avaliação, uma vez que no pós-operatório imediato espera-se que a mulher apresente limitações na amplitude de movimento do ombro.

Seromas: É uma coleção subcutânea de fluido seroso, com aspecto e composição semelhante a de um plasma. Sua formação se dá por meio de extravasamento de plasma ou linfa ocasionado pela ablação cirúrgica da mama, dos linfáticos, tecido gorduroso, alem de resultar em grande espaço morto embaixo de retalhos.

Síndrome da rede axilar: É uma rede de cordões visíveis e palpáveis sob a pele da axila que se estende para a região medial do braço.

FISIOTERAPIA: Postura confortável, exercícios respiratórios, manobras de estiramento, drenagem linfática manual e liberação miofascial.

Distúrbios na cicatrização: Pode ocorre necrose, deiscência tecidual e aderência tecidual ou fibrose.

FISIOTERAPIA: Hidratação e mobilização cutânea, massagem, drenagem linfática manual, exercícios ativos e alongamentos.

Linfedema:  Pode levar à disfunções motoras, podendo piorar o quadro no momento da radioterapia que por sua vez conduz a lesão do músculo peitoral e danos vasculares e articulares. Os efeitos colaterais da radioterapia e dissecção axilar limitam a reabilitação e muitas pacientes tem medo de vencer o estiramento da aderência cicatricial mesmo quando o efeito colateral doloroso da radio se resolve.

FISIOTERAPIA: Além da limitação da amplitude de movimento do ombro, devem-se considerar as complicações linfáticas e cicatriciais, pois exercícios mal empregados podem gerar prejuízos à paciente. Cabe ao fisioterapeuta também orientar a paciente para que ela mesma possa fazer a manutenção do tratamento em casa.

A falta de profissionais preparados para esta abordagem é a razão de muitos médicos mastologistas prorrogarem, ou até mesmo evitarem o encaminhamento da paciente no pós-operatório imediato para um fisio. A questão é que a não realização da fisioterapia neste momento pode provocar tardiamente uma complicação na articulação do ombro como desenvolvimento do ombro congelado.

Não deixe de procurar um profissional especializado, ele fará toda a diferença na evolução do seu tratamento.

Beijos ❤

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