A verdadeira face da Drenagem Linfática

A imagem desta técnica de massagem é um pouco distorcida aos olhos de pessoas que vivem em função de emagrecer. Ela é rica, tem inúmeros benefícios, porém é, infelizmente, executada de forma errada, excluindo toda a essência e a propriedade das manobras. Hoje vamos falar um pouquinho dela, para tentar, por fim (ou não), esclarecer o que é a Drenagem Linfática Manual – DLM.

A DRENAGEM LINFÁTICA é uma das inúmeras funções do nosso organismo. Ela acontece de forma independente o tempo todo em nosso corpo. Diferente do que muitos pensam, ela não existe só para nos ajudar a emagrecer, seus objetivos fisiológicos vão muito além disso:

– Reabsorver proteínas plasmáticas que continuamente abandonam o leito capilar em direção ao interstício;

– Manter a composição estável do fluído intercelular;

– Contribuir significativamente para o sistema imunológico.

A técnica desenvolvida para o auxílio desta drenagem natural do corpo é uma forma especial de massagem destinada a melhorar as funções essenciais do sistema linfático por meio de manobras PRECISAS, LEVES, SUAVES, LENTAS e RÍTMICAS, que obedecem ao trajeto do sistema linfático superficial.

Ela diferencia-se de outros métodos de massagem, especialmente da massagem clássica, por não produzir vasodilatação arteriolar superficial (vermelhidão da pele) e por utilizar pressões manuais extremamente suaves e lentas, drenando apenas o líquido intersticial dos tecidos mais superficiais do corpo.  Dessa forma, os vasos linfáticos terão tempo para relaxar, encher-se e possibilitar uma melhor mobilização ao fluído que normalmente apresenta um fluxo lento. Mesmo assim, existem contraindicações para a realização da drenagem.

Sistema Linfático Humano

Devemos ficar atentar às pressões excessivas, pois são capazes de lesar os capilares linfáticos por esses serem muito frágeis. Jamais a Drenagem Linfática Manual vai produzir dor! As manobras fazem uma tração na pele, até o seu limite elástico, sem que haja deslizamento e fricção sobre a mesma, desta forma não é necessário o uso de cremes e óleos hidratantes.

Antes de ser apresentada oficialmente à população, ela foi experimentada em pacientes que apresentavam enfermidades crônicas das vias aéreas superiores (sinusites, faringites, rinites, amigdalites, etc.) ocasionando o aumento dos gânglios do pescoço. Depois de alguns experimentos e aperfeiçoamento da técnica, nasceu a Drenagem Linfática Manual (DLM), apresentada pela primeira vez em 1936 em um congresso sobre beleza em Paris, para um público composto por massoterapeutas e esteticistas.

A DLM foi e continua a ser aperfeiçoada, adquirindo hoje um lugar de destaque no tratamento de edemas e linfedemas, fazendo parte integrante da Terapia Descongestiva Linfática – TDL (método reconhecido pela Sociedade Internacional de Linfologia como o mais eficaz para o tratamento do linfedema) e da Linfoterapia, desenvolvida no Brasil contando com outros recursos terapêuticos.

Concluindo: A DLM é uma massagem que pode e deve ser utilizada tanto para fins estéticos quanto patológicos. Se a sua teoria e prática forem usadas harmoniosamente, seus efeitos serão surpreendentes.

Buscamos através deste texto, conscientizá-las de que o nome vendido por aí não condiz à técnica aplicada em diversos lugares, o que limita os resultados do tratamento, desvalorizando algo nobre que precisou de anos para ser elaborado! A Drenagem Linfática Manual é um TRATAMENTO e deve ser levado adiante com seriedade e competência.

Beijos

Fonte: TACANI, R.E. Tratamentos propostos por cirurgiões plásticos em pacientes submetidos à lipoaspiração; 2003.

Fisioterapia no Câncer de Mama

  O assunto câncer já foi bastante falado, principalmente no último post. É nítida a importância de um excelente tratamento nessa fase, contando desde quando é dado o diagnóstico, até para a evolução de uma cirurgia, radio e quimioterapia… Mas e nessas situações, aonde entra a fisioterapia? Ela também não deve ser abstraída da evolução do tratamento e para quem ainda não sabe em que momento nós atuamos, vamos esclarecer algumas dúvidas e clarear um pouco as ideias sobre o nosso trabalho.

Quando a paciente recebe o diagnostico da doença, através de exames de imagem, cabe ao médico dizer qual será a melhor conduta a ser tomada. No caso das cirurgias, existem vários tipos, onde pode ter a retirada total ou parcial da mama, retirada dos linfonodos e às vezes os dois. Depende muito do quanto invasiva é a cirurgia e de como o organismo da mulher vai receber ao tratamento, para assim observarmos as possíveis complicações existentes num pós-operatório de câncer de mama.

As complicações normalmente são associadas à dissecção axilar, incluindo hemorragia, lesão de nervos, infecção, necrose da pele, seroma, linfedema, distúrbios na cicatrização e disfunções sensitivas e motoras do ombro, levando ao prejuízo funcional além é claro do estresse emocional. Elas podem ser divididas em imediatas (ocorrem até 24 hrs depois da cirurgia), mediatas (até o 7º dia pós-operatório) ou tardias (depois da retirada dos pontos e alta hospitalar). Lembrando que tudo depende da afecção clínica associada, tipo de anestesia, além do grau de lesão e cuidados pós-operatórios.

Hemorragias: Oferece grande risco ao paciente. A repercussão clínica depende do tipo de sangramento, calibre do vaso e da quantidade de sangue perdido.

Infecção: É a mais comum das causas de morbimortalidade. Cada episódio de infecção da ferida operatória, aumenta o tempo de hospitalização, no caso do paciente com câncer esse quadro adia a terapia adjuvante e há evidências que sugerem que os resultados para o paciente em termos de controle local e sobrevida, estão comprometidos.

Lesões Nervosas: Em razão da manipulação cirúrgica, podem provocar alterações sensório-motoras transitórias com duração de algumas semanas com tendência a desaparecer com o passar do tempo. Elas podem ocorrer durante o procedimento cirúrgico ou ainda se instalar meses depois devido a uma neuropatia. A lesão isolada de um nervo periférico pode ser causada basicamente por 4 mecanismos:

– Compressão curta: quando realizada por alguns minutos acarreta interrupção funcional, sendo a alteração imediata e totalmente reversível.

– Compressão prolongada: Causam uma lesão levando ao déficit parcial ou total; pode ser revertido a partir do momento em que a causa da agressão é removida.

– Estiramento: pode provocar distúrbio funcional grave e duradouro. A recuperação funcional é satisfatória e se dá geralmente dentro de 3 a 4 semanas.

– Rotura parcial: lesão grave, sendo a regeneração ineficaz quando não há sutura que aproxime as extremidades separadas.

Quando existe regeneração das fibras dos nervos periféricos é comum o relato de sensação de formigamento e até mesmo dor quando se estimula a região acometida. Podem ser acometidos vários nervos e cada um deles tem sintomas diferentes. Entre os mais comuns estão o formigamento, instabilidade e proeminência da escápula, dor, fraqueza, desconforto e hiperparesia no braço. As pacientes ficam com dificuldades de encostar o braço no tronco, dificultando a realização de movimentos do ombro levando a encurtamento muscular e prejudicando as atividades de vida diária dessa mulher e evoluindo às vezes para alteração de postura e na respiração. Pode haver também a recuperação espontânea do nervo e muitas pacientes tornam-se assintomáticas.

FISIOTERAPIA: Promover dessensibilização no local utilizando elementos de diferentes texturas, exercícios para amenizar a fraqueza muscular e a limitação do movimento. Nem sempre o fisio consegue perceber essa alteração na primeira avaliação, uma vez que no pós-operatório imediato espera-se que a mulher apresente limitações na amplitude de movimento do ombro.

Seromas: É uma coleção subcutânea de fluido seroso, com aspecto e composição semelhante a de um plasma. Sua formação se dá por meio de extravasamento de plasma ou linfa ocasionado pela ablação cirúrgica da mama, dos linfáticos, tecido gorduroso, alem de resultar em grande espaço morto embaixo de retalhos.

Síndrome da rede axilar: É uma rede de cordões visíveis e palpáveis sob a pele da axila que se estende para a região medial do braço.

FISIOTERAPIA: Postura confortável, exercícios respiratórios, manobras de estiramento, drenagem linfática manual e liberação miofascial.

Distúrbios na cicatrização: Pode ocorre necrose, deiscência tecidual e aderência tecidual ou fibrose.

FISIOTERAPIA: Hidratação e mobilização cutânea, massagem, drenagem linfática manual, exercícios ativos e alongamentos.

Linfedema:  Pode levar à disfunções motoras, podendo piorar o quadro no momento da radioterapia que por sua vez conduz a lesão do músculo peitoral e danos vasculares e articulares. Os efeitos colaterais da radioterapia e dissecção axilar limitam a reabilitação e muitas pacientes tem medo de vencer o estiramento da aderência cicatricial mesmo quando o efeito colateral doloroso da radio se resolve.

FISIOTERAPIA: Além da limitação da amplitude de movimento do ombro, devem-se considerar as complicações linfáticas e cicatriciais, pois exercícios mal empregados podem gerar prejuízos à paciente. Cabe ao fisioterapeuta também orientar a paciente para que ela mesma possa fazer a manutenção do tratamento em casa.

A falta de profissionais preparados para esta abordagem é a razão de muitos médicos mastologistas prorrogarem, ou até mesmo evitarem o encaminhamento da paciente no pós-operatório imediato para um fisio. A questão é que a não realização da fisioterapia neste momento pode provocar tardiamente uma complicação na articulação do ombro como desenvolvimento do ombro congelado.

Não deixe de procurar um profissional especializado, ele fará toda a diferença na evolução do seu tratamento.

Beijos ❤

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