“Dor nas costas” durante a Gestação

Quem um dia foi gestante, ou já conviveu com uma, sabe muito bem que uma das principais queixas entre elas é a DOR. Especificamente na região lombar, aparentemente decorrente ao peso do barrigão, que vai se intensificando com o passar dos meses. Mas na verdade, desde o primeiro momento em que a mulher está GRÁVIDA, o corpo dela passa a sofrer alterações fisiológicas, umas visíveis e outras não, que desajustam seu sistema musculoesquelético. Vamos tentar deixar um pouquinho mais claro o que acontece no corpo das mulheres durante essa fase e o porquê dessas dores surgirem. Assim ninguém mais vai poder falar que é frescura de grávida!!!

Umas das primeiras mudanças que a mulher sofre é o aumento do volume e peso do útero e mamas, que associados à frouxidão ligamentar, favorecem o desajuste no sistema articular e muscular; o edema acomete 80% das gestantes no último trimestre, que devido a esse aumento de fluído pode haver compressão de nervos e ligamentos; o ganho de peso, levando sobrecarga nas estruturas e instabilidade na postura corporal. Com todas essas mudanças básicas e perceptíveis, é possível imaginar que quem responde a isso é a nossa coluna, pelve, joelhos e extremidades.

Estudos relatam que a quantidade de gestantes que apresentam dores nas costas é quase 14 vezes maior do que mulheres não grávida e que estas dores e desconfortos podem permanecer até 3 anos após o parto, podendo afetar diretamente a qualidade de vida destas mulheres influenciando de modo negativo as atividades domésticas , disposição física, habilidade motora, qualidade do sono, humor, vida social e lazer.  Muitos países já consideram este, um problema de saúde pública, oferecendo acompanhamento especial e diferenciado para quase a totalidade das gestantes.

Essa lombalgia tão característica ocorre devido ao aumento da circulação dos hormônios progesterona, estrogênio e relaxina, que acontece durante a gestação e resulta em retenção hídrica, hipermobilidade pélvica e comprometimento de outras estruturas que alteram a estabilidade da coluna vertebral. A expansão uterina traciona a base sacral provocando inclinação anterior da pelve e flexão do quadril. Esta modificação do eixo pélvico causa hiperlordose lombar, que acarreta elevação da atividade do músculo ileopsoas e sobrecarga no músculo transverso abdominal. A lordose lombar aumenta, em média, 5,9° e a inclinação anterior da pelve, 4°.

É importante tomar cuidado com doenças associadas que possam causar o mesmo tipo de dor. Para evitar erros diagnósticos, é proposta uma única nomenclatura para a definição destas algias, ressaltando a distinção entre elas:

É possível compreender que a dor é um mal necessário durante a gestação. Porém, é mais fácil ainda acreditar que existem técnicas e tratamentos específicos para o alívio de lombalgias e outras dores decorrentes deste período, como orientações posturais, auto-conhecimento do corpo, ergonomia, exercícios específicos para a gestação, fortalecimento da musculatura posterior e períneo, exercícios estabilizadores da pelve, hidroginástica, RPG, acupuntura e relaxamento muscular. Procure um profissional qualificado e coloque um freio nos sintomas.

Beijos,

fsMulher.

EPI-NO… o novo queridinho!

Hoje daremos uma luz para as mulheres que desejam realizar o parto normal. Uma dica preciosa para a facilitação, conforto e segurança para o momento da chegada do bebê! Falaremos sobre o EPI-NO, aparelhinho que pouca gente conhece, mas quem conhece AMA e RECOMENDA.

O EPI-NO é um aparelho alemão usado para exercitar a musculatura do períneo durante a gestação. Contando com a ajuda dele, é possível quantificar a flexibilidade da musculatura da região, evitando assim a ocorrência da episiotomia e outras lesões que podem ocorrer durante o nascimento do bebê. Quando a musculatura do assoalho pélvico permanece intacta, os músculos e tecidos podem se recuperar mais facilmente após o parto.

A mulher deve inserí-lo na sua rotina cerca de 3 semanas antes da data prevista para parto, podendo desta forma iniciar os exercícios para aumentar a elasticidade dos músculos do assoalho pélvico.

O EPI-NO não deve ser abandonado no pós-parto. Depois que o seu bebê nascer, ele será o parceiro ideal para ajudá-la a recuperar a força e tônus do seu assoalho pélvico que foi sobrecarregado pelo peso do bebê durante toda a gestação e possivelmente estará fragilizado após o parto. Além de fazer o músculo trabalhar, a mulher consegue acompanhar o seu desempenho através do biofeedback, o que motiva o desempenho de recuperação e busca maior satisfação sexual.

Esse aparelhinho milagroso é muito comum na Europa (vendido em farmácias sem nem mesmo precisar de receita médica) e lá é vendido a um preço acessível para todas as gestantes. Maaaas…  infelizmente aqui no Brasil ele é raro, e quando encontrado tem preços surreais, o que desencoraja as mulheres a adquirí-lo para ser usado durante poucas semanas.

Pensando nessas mulheres que sonham em ter um parto normal, seguro e tranquilo e que não conseguem acesso ao EPI-NO, alguns lugares do Brasil (principalmente em São Paulo) disponibilizam o aparelho para locação ou para sessões em consultórios de fisioterapia, facilitando (e muito) a vida dessas gravidinhas. Caso se interessem, falem conosco!

= fsMulher =

Fotos por João Victor Bolan: http://www.behance.net/joaobolan

Para maiores informações sobre o produto: www.epi-no.com.br/

Mulher e seu corpo – PARTE 1

Acreditem se quiser, mesmo que a sociedade cultue

o corpo feminino e as mulheres esforcem-se para ter um corpo bonito e impecável.. nem todas ainda se conhecem por inteiro! Duvida? Tem uma região do nosso corpo que poucas já ouviram falar e algumas têm até medo de tocar. Por quê? Há muito tabu sobre essa região. Vocês já imaginam do que estamos falando?

Se vocês pensaram em “Assoalho Pélvico” ou “Períneo” ou “Parte sexual da mulher”, parabéns! Se ainda não ouviram falar este é o momento de descobrir. Afinal, assoalho pélvico tem VÁRIAS funções extremamente importantes ao nosso corpo!

“Assoalho” significa chão e “Pélvico”, refere-se ao osso da bacia. Logo, refere-se a um conjunto de músculos profundos que se encontram na região inferior da bacia, que começa atrás do osso onde tem o monte pubiano e vai até o ânus. Essa região também é conhecida como “Períneo”.

Como qualquer músculo do nosso corpo, esses músculos devem ter alguma função, certo? E qual seria? Vamos primeiro acompanhar o raciocínio. A imagem ao lado mostra as estruturas que atravessam o assoalho pélvico (em azul escuro): uretra (canal da bexiga por onde passa a urina), canal vaginal e ânus.

Agora imaginemos as seguintes situações: quando estamos MUITO apertadas para ir ao banheiro, mas não tem, temos que segurar o xixi, certo? Ou quando estamos na frente de outras pessoas e não podemos soltar gases, nós seguramos. Ou não tem banheiro para fazer o “número 2”, temos que segurar. Em qualquer uma dessas situações quem que nos salva? Os MAP – Músculos do Assoalho Pélvico. Sem eles trabalhando de forma eficaz podemos vir a ter escape de urina (incontinência urinária) ou de fezes/flatos (incontinência fecal).

E como vemos pela imagem, o assoalho pélvico parece uma “rede” que carrega, literalmente, a bexiga, útero e intestino. Se essa rede não estiver firme, ou melhor, se o músculo não souber trabalhar (contrair) certo, o que acontece com quem está nela? Cair? SIM! Por isso surgem os termos “bexiga caída” ou, pelo termo médico, os Prolapsos de Órgãos Pélvicos.

Pela anatomia desses músculos, tem uma outra função essencial que é de estabilização da coluna. O assoalho pélvico está inserido no osso da pelve (bacia – ver foto 02) que por sua vez está conectada às vertebras. Logo, se essa musculatura não estiver fortalecida o suficiente, pode causar desequilíbrio muscular de forma global.

Por último, o assoalho pélvico também é responsável pela função sexual. Como vimos pela imagem, por ele atravessa o canal vaginal. Ou seja, ele é responsável pelo estreitamento da vagina, pela melhor irrigação sanguínea e percepção corporal.

Se você já apresenta Incontinência urinária/fecal ou prolapso de órgãos pélvicos ou dor/desconforto durante a relação sexual entrem em contato conosco pois há tratamento fisioterapêutico! E para quem não tem nada disso, mas deseja prevenir ou indicar a quem apresenta esses quadros, aguardem “Mulher e seu corpo – PARTE 2″!!

Agora, aproveitem o video seguinte que mostra todos os músculos importantes para estabilizar nosso corpo, inclusive os Músculos do Assoalho Pélvico (tempo 1’10”)!

Beijos,

FSMulher